A ansiedade por trás da necessidade de se justificar

Por Lorena Gontijo

Você digita uma mensagem simples desmarcando um compromisso, pedindo ajuda ou impondo um pequeno limite. Segundos depois, uma sensação de angústia toma conta e você envia um áudio longo, detalhando os motivos, pedindo desculpas e tentando garantir que ninguém interprete a sua atitude de forma negativa.

Esse ciclo é familiar para muitas pessoas. Na superfície, parece apenas polidez ou cuidado com o outro. No entanto, na base dessa necessidade incontrolável de se justificar o tempo todo, frequentemente moram a ansiedade, a autocobrança e um medo profundo do julgamento.

Quando crescemos ou vivemos em ambientes onde nossas necessidades não eram validadas com facilidade, aprendemos que o nosso “não” ou a nossa indisponibilidade precisam de um “atestado de validade” para serem aceitos. Cria-se a ilusão de que o nosso limite só é legítimo se o outro concordar com o nosso motivo. O resultado disso é um desgaste emocional diário, onde muita energia é gasta tentando gerenciar o que os outros pensam sobre nós.

A verdade é que os seus limites não precisam de uma justificativa elaborada para existirem. O seu cansaço é real e legítimo. O seu tempo e a sua capacidade de entrega possuem um fim, e reconhecer isso não faz de você uma pessoa ruim ou egoísta.

Desvencilhar-se dessa necessidade de agradar exige tempo e autoconhecimento. O processo terapêutico oferece um espaço seguro para você olhar para essa insegurança com acolhimento, compreendendo as raízes dessa culpa e construindo recursos para se apropriar de quem você é e das suas escolhas. Aos poucos, torna-se possível enviar uma mensagem dizendo apenas “hoje não poderei ir” e, finalmente, soltar o celular sem o peso da culpa.